Energia solar fotovoltaica flutuante será instalada em hidrelétrica em Goiás

Tractebel desenvolve o projeto básico com capacidade de 30 MW na barragem de Batalha, de propriedade do grupo estatal brasileiro Furnas Centrais Elétricas

A Tractebel está desenvolvendo o projeto básico de instalação de usinas solares flutuantes com capacidade de 30 MW na barragem hidrelétrica da Batalha, de 52,2 MW, localizada no rio São Marcos, em Goiás, de propriedade do grupo estatal brasileiro Furnas Centrais Elétricas. No empreendimento, a Tractebel será responsável pelo projeto para a implantação das usinas flutuantes I, II e III.

Para atingir uma potência instalada total de 30MW, serão instalados 90.900 módulos fotovoltaicos flutuantes no reservatório, o equivalente para suprir a energia mensal de aproximadamente 30.000 residências.

As vantagens de uma planta solar fotovoltaica flutuante são diversas, segundo Maria Guilhermina Drummond, superintendente da Linha de Produtos Tractebel Energy na América Latina. “A fonte solar flutuante e terrestre complementam o mix de energia e traz um ganho de eficiência na captação de energia solar, já que estão próximos à água, os módulos permanecem mais limpos e mais frios, fator essencial para desempenho superior”, explica.

Para Fabiane Ferrão, gerente da unidade de negócios renováveis, instalar módulos flutuantes no reservatório não utilizado de usinas hidrelétricas para geração de energia solar é uma ótima tática para um futuro sem carbono. “Este projeto diferenciado marca o início de nossos esforços no nicho de Complex Renewables no Brasil, complementando e agregando à experiência solar flutuante que a Tractebel vem conquistando em outros países desde 2015”, complementa.

O Brasil já abriga uma usina solar à deriva adicional de 1 MW na barragem de Sobradinho, um centro hidrelétrico de 175 MW no rio São Francisco, em Sobradinho, no estado da Bahia.

A energia solar fotovoltaica flutuante é uma ótima alternativa no Brasil, já que os componentes, bem como a colocação de estruturas à deriva, podem ajudar a diminuir a dissipação dos tanques de armazenamento de água atualmente testados, além de aumentar o fornecimento de energia elétrica em períodos secos.

Em janeiro deste ano, a Furnas Centrais Elétricas anunciou que estuda qual é a melhor maneira para a implantação de energias solar e eólica na Usina Hidrelétrica de Itumbiara, no rio Paranaíba, a maior usina do Sistema Furnas e fica localizada entre os municípios de Itumbiara, em Goiás, e Araporã, em Minas Gerais. A ideia é instalar um sistema de geração de energia solar fotovoltaica no entorno e no reservatório da usina.

Para aproveitar a energia solar gerada durante o dia, o projeto inclui o armazenamento da energia em sistemas de hidrogênio e eletroquímico. “Vamos armazenar energia gerada através da fonte solar para buscar ter um período maior de fornecimento de energia dessa fonte”, disse o gestor técnico da Gerência de Pesquisa, Serviços e Inovação Tecnológica de Furnas, Jacinto Maia Pimentel.

Além das baterias de alta capacidade, o armazenamento será feito por meio de hidrogênio líquido.

O projeto básico de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de Furnas já foi iniciado e deve ser concluído em 32 meses, com investimento previsto de R$ 44,6 milhões da carteira de P&D de Furnas. A iniciativa é fruto da parceria com a empresa Base-Energia Sustentável, associada à Universidade Estadual Paulista (Unesp), à Universidade de Campinas (Unicamp), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Goiás (Senai-GO), à Universidade de Bradenburgo (Alemanha) e à PV Solar.