Segundo relatório da agência, tecnologias fotovoltaica e eólica devem superar os problemas de cadeia de suprimentos e apresentar um incremento de cerca de 5% no ano 

Por Ricardo Casarin

As renováveis serão as únicas fontes que irão apresentar crescimento em 2020, aponta relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) que avalia os impactos da pandemia de coronavírus e as consequentes medidas de restrição na demanda e oferta global do setor. De acordo com a análise, esse tipo de geração, em especial solar e eólica, deve superar os problemas de cadeia de suprimentos e apresentar um incremento de cerca de 5% em 2020.

“Em meio a essa crise econômica e sanitária sem precedentes, a queda de demanda de quase todos os principais combustíveis é impressionante, especialmente para carvão, petróleo e gás. Apenas as renováveis irão se sustentar durante essa queda no uso de eletricidade”, disse o diretor executivo da IEA, Faith Birol, que descreveu a pandemia como um choque histórico para todo o setor de energia.

O relatório projeta que a demanda global de energia irá decair por volta de 6% nesse ano, um declínio quase sete vezes maior que o experimentado durante a crise financeira de 2008 e o mais severo desde a Segunda Guerra Mundial. Os efeitos já são visíveis no primeiro trimestre, com uma queda de 3,8%, de acordo com a análise da entidade.

As economias mais avançadas sofreram o maior impacto. A IEA prevê que a demanda de energia nos Estados Unidos caia 9% e 11% na União Europeia em 2020, em função dos efeitos de restrição na atividade industrial. O papel das renováveis na matriz energética dos dois mercados já mostra crescimento.

A avaliação é de que o rigor e a duração das quarentenas são instrumentais para o colapso da demanda. A análise mostra períodos de isolamento completo, como ocorreu em muitos países da Europa, podem causar quedas de até 20%. A expectativa é de que o mundo registre 5% de queda da demanda de energia nesse ano, a maior queda desde a Grande Depressão.

A IEA indica que esse colapso irá beneficiar o setor de renováveis, a única classe de geração que deverá apresentar crescimento no período, graças a operação de novas capacidades, menores custos operacionais e o benefício de despachos prioritários em mercados importantes. É factível que as renováveis forneçam 40% da energia global em 2020, concretizando a liderança sobre combustíveis fósseis conquistada no ano passado.

Caso essa projeção se confirme, a geração renovável teria uma vantagem de seis pontos percentuais sobre o carvão. Até mesmo o gás, defendido como uma fonte de transição em muitos mercados, mostra tendência de declínio, com projeção de 5% de queda na demanda, segundo a IEA. “Ainda é cedo para determinar os impactos de longo prazo, mas a indústria de energia que irá emergir após a crise será significativamente diferente do que era anteriormente”, declarou Birol.